sexta-feira, 4 de julho de 2025

Moedor de ego

 Apenas um sonho

moedor de ego

Pensou que passaria incólume?

moedor de ego

Aqui, mais um dia, desabafando na máquina de escrita

moedor de ego

Um desabafo que vomita o moedor cotidano

moedor de ego


sábado, 12 de abril de 2025

O frade e a fiel

Confissão número um (A fiel)


Ainda não sabia o que estava acontecendo dentro de mim. Queria fugir daquele imbróglio emocional que tomava conta de mim. Permanecia em prece todo santo dia. Nada resolvia. Ele, o frade, o misterioso frade, não saía de meus pensamentos nem que eu passasse todas as vinte e quatro horas do dia disponíveis de joelhos no genuflexório. Ou dentro de casa. Poderia me ocupar de todos os trabalhos manuais, domésticos. Não sabia quem era o frade. Não sabia qual o seu nome. Ele não percebeu. Provavelmente não. E eu rezo para que isso não ocorra. Sei que isso  incorreria em grave pecado. Não. Não posso. Tenho muitas coisas para fazer. 


Confissão três

(O frade)


Demorei um tempo para começar a escrever sobre o assunto. Estou inquieto. Confuso. Desde que cheguei, não quis registrar sobre porque havia outras coisas para registrar em meu diário desde que cheguei na diocese. Ainda não me confessei com o padre. Estou digerindo as emoções junto a Deus e do pároco. A bem da verdade, não queria estar passando por isso. Contudo, é a minha vocação. Não há sacerdócio sem tentação. Não consigo parar de pensar na fiel. Ela não sabe que a vi. Ela inclusive não quer que eu a perceba. Comecei a me perguntar se ela teria alguém. Cortava meus pensamentos logo imediatamente com alguma jaculatória. Eles ficavam mais fortes. Dediquei mais tempo ao serviço na diocese. Às minhas preces. Não vi solução. Se não aparecia durante o dia em meus pensamentos, ela viria em sonhos. Continuarei rezando por ela.


Confissão número dois

(A fiel)


Acredito que ele ainda não sabe de mim. Prefiro que assim permaneça. A tentativa de controlar as coisas estão as tornando piores. Ele não sai da minha cabeça. Ainda que eu aumente minha carga de trabalho dentro de casa, nada funciona. Dobrei minhas preces, voltei a visitar os doentes no hospital de meu bairro.  Tornou-se não um serviço voluntário, mas quase uma obrigação, uma fuga. Estava buscando alívio ao invés do serviço sincero e desinteressado. Qual era o nome do frade? Não sei. Meu peito doía em anseio de poder vê-lo novamente. 


Confissão número cinco

(O frade)


Ela comparece aqui hoje? Por que me pergunto isso? Não tem aparecido nas últimas missas, tampouco tem prestado serviço na igreja. Sondei informações a respeito. Ela é assídua no serviço à igreja, aos pobres e aos doentes. Soube que vem se dedicando aos doentes nos últimos dias. Estou na tentação de saber qual é o hospital que ela tem visitado; oferecer meu apoio. Sei que se fizer isso, não o farei segundo a vontade do Pai, mas darei vazão às minhas próprias concupiscências. Nas mãos de Deus estão todas as minhas tentações. Oh, amado Deus, não deixeis que vosso filho caia em tentação. Livra antes a tua filha do mal a mim. Amém.


Confissão número três

(A fiel)


Cheguei tarde do hospital. Cansada. Hoje tive um pouco de trégua. Pude ter foco durante a maior parte do tempo na prestação de serviços. Mas no fundo da minha mente o frade estava ali. Tenho trocado o horário das missas pelo voluntariado. Dou graças a Deus por ter condições financeiras o bastante para me dedicar ao serviço ao próximo. É minha vocação. Por vezes sinto que não faço o bastante e percebo que pensar demasiadamente no frade é um sinal de que algo em minha serventia não vai bem. O que será? Tenho rezado por isso.


Confissão número nove

(O frade)


Aqui estou mais uma vez. Tenho tido medo dos meus próprios pensamentos desde que pousei meus olhos na fiel. Não sei mais do que sou capaz. Apesar de ter aumentado as orações, o trabalho junto à diocese, nada tem adiantado. Alguns dias são mais leves e outros mais pesados. Nos dias mais pesados de trabalho eu consigo focar no trabalho. Mas logo durante a noite, quando tenho algum tempo a sós com Deus, é quando meus pensamentos sobre ela aumentam significativamente. 


Confissão número quatro 

(A fiel)


Preparei o almoço logo de manhã. Precisei sair durante a manhã e tudo já deveria estar pronto quando fosse almoçar. Logo depois fui à vendinha da igreja. Estavam precisando de alguém no balcão. Cerca de uma hora depois o frade apareceu. Ele me olhou fixamente nos olhos, disse-me bom dia. Havia duas senhoras no local. Elas se foram e ele ficou. Momento de tensão. Ele escrutinou toda loja e eu o observava. Escolheu uma imagem de São Judas Tadeu e dois terços para levar. “Boa tarde, filha”, ele disse. “Boa tarde, frade”. O cumprimentei da maneira como deveria. Houve um breve silêncio constrangedor. Por um momento ele me encarou, como que quisesse saber de alguma coisa. Seus lábios se entreabriram. Esperei que fosse falar alguma coisa, mas ele deu um breve sorriso e olhou para o chão com timidez e constrangimento. “Serão a imagem e os terços?”, perguntei. “Sim”, ele respondeu sorrindo timidamente para mim. Ele mais uma vez olhou fixamente em meus olhos, despediu-se e foi embora. Esse momento pareceu durar uma eternidade. 


Confissão número dez

(O frade)


Estive presente na associação paroquial hoje. Foi um dia atribulado. Muitas pessoas para atender, confissões inesperadas. Almocei com o pároco da igreja e ele me pediu que eu preenchesse o cadastro dos fiéis que estavam cadastrados para o próximo almoço beneficente da igreja. Logo depois do almoço passei na vendinha da igreja. Lá estava a fiel. Comecei a murmurar algumas jaculatórias antes que fosse tomado pela tentação. Não adiantou muita coisa, para ser franco. Meu corpo foi tomado por fogo dos pés à cabeça. Senti, não entrei em relutância, como recomendou o pároco da igreja. Mas não queria que isso fosse percebido por ela. Continuei concentrado, procurando por São Judas e dois terços que precisava. Foi a primeira vez que troquei palavras com ela. A cumprimentei, paguei e fui embora. 


Confissão número cinco

(A fiel)


A imagem dele perseguiu todo o dia de ontem até os meus sonhos. Eu o encontrei numa paisagem. Estava sentado sob a árvore com um livro nas mãos e eu à distância o observava. Não sabia o que sentia. Sabia que não podia almejá-lo, e tocá-lo tornaria as coisas piores. Então eu me contentava apenas com a contemplação. Era uma tortura doce, porém ainda uma tortura. Não havia me confessado sobre isso a ninguém, apenas a Deus. Acordei hoje cedo e senti a necessidade de escrever sobre este sonho. Ainda estava envergonhada dos meus sentimentos pelo frade. 


Confissão número onze

(O frade)


A sensação que tive hoje cedo é que a encontrei em sonho. Não me lembro de muita coisa, mas precisei deixar o registro agora, assim que acordasse. Não devo deixar o pecado da concupiscência me dominar. O pároco me orientou continuar escrevendo sobre este assunto. Que não precisaria confessar a não ser que eu viesse a consumar de fato o ato, porque os pensamentos já estavam então confessos a ele. Que era para continuar vigiando e orando. Hoje preciso sair da cidade. Tenho uma associação para visitar a 150 km daqui. Vou em prece durante a viagem, pois sei que estes momentos de vacância podem ser tentadores.


Confissão número seis

(A fiel)


Não saí de casa hoje. Fui ver a papelada da herança que o papai me deixou. Oh, papai, como gostaria que estivesse aqui comigo. Sinto falta de sua presença, de nossas idas às missas dominicais. Sinto falta da sua bondade. Contudo, sei que estais em perfeita companhia. Sua fidelidade é aquela que eu gostaria de me inspirar. Rezo por sua alma todos os dias. Rogo pela alma de mamãe também. 

Fiquei por conta destes papéis e da arrumação da casa. Tive paz enquanto fazia tudo isto. Fiquei numa espécie de prece ativa. Oração contínua em e para tudo o que fazia. Anoiteci bem e em paz.


Confissão número treze

(O frade)


Meu dia não foi nada bom. Não consegui me concentrar em absolutamente nada do que fazia. Meu coração palpitava e pulsava sem cessar a cada segundo que lembrava da fiel. Meu corpo estava ardendo em brasas. Quase caí em tentação. Quase pequei contra a castidade. Não consegui trabalhar. Tentei ficar em meu quarto, apesar de esta não ser a recomendação do pároco. Oh, meu Pai do Céu, tende piedade de mim e das minhas misérias.


Confissão número sete

(A fiel)


Descobri que não estava rezando o santo terço da forma correta. Pode ser por isso que as tentações estejam grandes. A minha maior tentação da atualidade tem sido a luxúria. Pensei que havia superado, mas não. O irmão da igreja, o frade. Sequer sei o seu nome. Oh Deus meu, como sou tão vil e egoísta. Perdoa-me. Proteja-o de mim. Tenho tentado ir à santa missa em horários alternados, mas nada resolvido. Todas as missas que vou, lá está o frade, exatamente em todos os horários que vou. Senhor, tende piedade de mim.


Confissão número quatorze

(O frade)


Percebi que tenho encontrado a fiel nos mesmos horários que vou à santa missa. Falta confissão? Deus meu, esta é realmente a minha vocação? Não seria o ideal eu deixar isto para trás? Estou preferindo a morte para ser-Lhe franco, meu Pai. Perdoa-me proferir estas palavras, mas odeio a minha vida neste momento, Senhor. Sinto-me distante de Ti. Fiz tudo o que o pároco manda, confissões, penitências, serviços. Por quê? Arranca do meu peito tudo isso que sinto! O que devo fazer agora?


Confissão número oito

(A fiel)


Pequei contra a castidade na última noite. Eu não me contive. O que faço agora, Senhor? Como pude? Preciso me confessar urgentemente ao padre da igreja. Tudo isto com o frade em mente. Como me sinto suja. Como me sinto horrível. Gostaria que o frade não soubesse disso, mas Deus haverá de mostrar a ele o que aconteceu.

Perdoa-me Senhor, perdoa-me. Hoje mesmo procurarei o padre para me confessar.


Confissão número quinze

(O frade)


Sonhei que estava em intimidade com a fiel. Não pode ser. Não estou livre sequer em meus sonhos. Acordei no meio da noite com o corpo abrasado, meu membro rijo como uma pedra, suando em bicas. Foi tudo tão real, tão intenso. Não vou mentir que foi uma das melhores sensações de minha vida. Nunca estive com mulheres. Esta foi a primeira. Sequer a toquei. Senhor, estou me sentindo sujo por desejar possuí-la. Não anseio, neste momento, mais nada em minha vida senão aquela mulher.


Confissão número nove

(A fiel)


Fui me confessar na igreja com o padre durante a tarde. Quem me recebeu foi justo o frade. Ele estava sentado em um banco. Era o único presente na igreja. Estávamos a sós. Precisaria me confessar com ele? Justo com ele? Não, ainda não. Resolvi sentar-me e rezar diante do Santíssimo. Não deu cinco minutos e ele se aproximou e sentou-se próximo a mim. Seus olhos estavam radiosos e decididos. Penetrava-me a alma. Eu sabia exatamente o que ele queria, e eu não podia disfarçar que não sabia. Ele queria que eu entendesse o que estava sentindo com apenas um olhar. A mensagem estava explícita. Já havia cometido adultério tantas vezes em pensamento com este homem, não sabia mais o que fazer. A respiração dele era contida, porém um tanto ofegante. Suas emoções me enebriavam. Seus lábios estavam entreabertos e úmidos. Ele encarava-me os olhos e a boca. E eu o correspondia. Ele então entendeu que era correspondido. Sorriu e olhou para baixo timidamente porque o local era inapropriado. Sentia-me como um bicho. Seu olhar pousou longamente para o chão porque ele também pensava o mesmo. De fato estávamos pensando as mesmas coisas. Comecei a sorrir também e ele devolveu-me o olhar, entendendo tudo o que estava se passando. E então disse: “já não sei mais o que fazer, perdoa-me”. Meu corpo ficou arrepiado da cabeça aos pés como eu nunca havia sentido antes. Ao que respondi: “nem eu, perdoa-me”

“você aceitaria um convite para passear no parque?”

“sim”

Neste momento ele sorriu com os olhos e olhou timidamente para baixo. Vi sincera satisfação em seu rosto.

Fomos ao parque que ficava mais próximo da igreja. Naquele dia, ele estava com poucas pessoas. Senti que nada atrapalharia aquele momento. Ele começou a contar sobre a sua vida, sua vocação e fui eu a sua confessora. Disse que não havia professado votos perpétuos. Ele deu um sinal de que queria me ver novamente no dia seguinte. Entregou-me o número do seu telefone e disse que estava disponível para conversar mais vezes. Não percebi como sendo algo tentador ou pecaminoso. Havia a mão de Deus nesta situação. Contudo, terminei este encontro dizendo: “Senhor, abençoa-o e, contudo, seja feita a vossa vontade e não a minha”. Ainda com certo receio, mas leve, encerrei meu dia. Feliz pela grata companhia do frade mas, sobretudo, de Deus.


sexta-feira, 24 de novembro de 2023

Válvula de descarte

Estes tempos que vivemos revelam uma coisa que sempre fizemos: o descarte. De ideias, coisas e até pessoas. Costumamos comparar tempos passados como melhores, mas a realidade é que nossos aparatos tecnológicos só revelaram que mantivemos as mesmas tendências de sempre, mas com outra fantasia. Não quero dizer que as coisas não devam mudar, que devemos permanecer estacionados no tempo. O que consegui entender por detrás dessa queixa não é, essencialmente, a resistência à mudança, mas o descarte de princípios essenciais que nos mantêm vivos como a comunhão, a partilha, o convívio harmônico e fraterno com nossos familiares e semelhantes - enfim, o amor ao próximo. 

É compreensível que muitos de nós tenhamos resistência a esses princípios, uma vez que eles vinham embalados em uma cultura rígida, ou seja, hipócrita. Nós quisemos nos libertar da embalagem que era bonita por fora e feia por dentro, mas agora não sabemos o que fazer com o conteúdo, que é o essencial, pois o recusamos de pronto por desconhecê-lo completamente. Por isso bate essa sensação de desamparo. Quando nos sentimos desamparados, a tendência é achar que somos descartáveis e por isso fazemos isso com o próximo antes que ele faça conosco. É uma espécie de descarte preventivo, pra evitar a dor antes que ela aconteça. Isso é como o velho bicho papão da nossa infância: ele existe até que chegue um adulto, acenda a luz do quarto e mostre que não tem nada ali.  [1Jo:4-18]


Essa sensação de desamparo vem pra mostrar que nem sempre as coisas que julgamos seguras são de fato a segurança. É que o mundo que a gente vive tem uma sensação de realidade que parece incontestável. Eu particularmente aprendi que não é mais a sensação dessa realidade que me dá a segurança, mas a fé que tive de adotar por não mais confiar nas seguranças que este mundo me apresentou desde sempre. Antes de abraçá-la, tive meus preconceitos, e embora pouco saiba sobre ela, já está fazendo transformações profundas na minha vida. Sim, causa medo, é uma forma de viver que ainda desconheço, mas eis que ali, aos poucos, tenho encontrado uma paz e um descanso que o mundo jamais me ofereceu. [Ef. 4:22]


quarta-feira, 22 de novembro de 2023

Comments on Neurosis Recovery

If you are new here, welcome! If you take a quick look at this blog you might feel a little bit lost. Because you have many options when it comes to literature genre - but it is not the case now. 

The main thing here is Neurosis - and I personally am feeling compelled to write it by the 12 steps program. I'm here to give you an overlook on how it is working on my personal life. And I am not not a professional on mind health or anything like that. I'm a simply practioner of it. 

I realized I'm a neurotic person once I felt I was completely powerless over my emotions - and it still is a reality. Could realize that the emotions could not be controled by mind itself. In 12 steps programs it is called self-sufficency and specifically there it is not recommended to live like that. It is recommended to believe in a higher power, or God, as you can concept and accept.

Once you honestly assume you are powerless over your emotions and adictions of any sort, you gave the first step to receive help from God and the fellowship itself - which is important to say that it is a spiritual one. The main purpose there is not being an academic fellowship, but a spiritual one. It is important to have that discerniment. 

Our mind by themselves can't be saved at all. We need to be humble enough to accept only God can saves us from our failed self-sufficiency.

Living a day at a time.
Sober just for today.

quarta-feira, 15 de novembro de 2023

Seja bem vindo!

Pra você que chegou agora neste blog, fique à vontade! Aqui você encontrará textos literários, sejam ficção ou não, reflexões, prosa, poemas. Também um diário; um devocionário.

Contudo, se você é uma pessoa facilmente escandalizável, eu desrecomendo fortemente a leitura.

Um abraço.

sexta-feira, 10 de novembro de 2023

Comments on intuitive signs

I didn’t know the meaning of “intuition”. Once I was not humble enough to conceive I had an intuition, I could never have a hint about that. I grew up with the idea that I shouldn’t be in touch with my own sensitivity. Being “too emotional” would be a sign of weakness. But ok. I’m not here to share about my past neither to mourn over them. I’m here to talk about intuition.

But what does that mean?

I’ve learned that intuition is nothing but being in touch with the divine within me, and I understand that as being one with it means Love and Grace. Once I am in touch with this feeling, I feel compelled to act in a way I’m not used to. It’s like a sense of service; being aware that you are part of something greater than you. It’s not complicated, it is a simple thing once you have some good will to accomplish the tasks your intuition, The TRUTH, asks you to do.

And how to be in touch with that intuition?

Well, all I can do is sharing my own experience with you. I personally like to pray and study about spirituality and religions. It keeps my mind open to that. It’s a very personal thing and I don’t think we all share the same way of being in touch with spirit.

A linguagem da alma é indizível

Não existe um porquê, um para quê. Quando, onde, como.

Apenas É.

A linguagem do espírito é infinita demais para caber no vocabulário.

Um pensador francês certa vez disse que as palavras seriam autoritárias, porque elas obrigam a dizer o indizível. Hei de concordar.

Não há qualquer fórmula intelectual pronta que consiga traduzir a verdade da alma — do espírito: a única que existe.

Ela é poética. Ela é prosaica. Portanto, verdade.

Deixa ela falar.

[Jo 1-1]

quinta-feira, 5 de outubro de 2023

Prosa sobre a existência infernal com um cidadão comum

Mais um dia no meio da selva de concreto e aço. Você já deve saber como isso funciona. Almas frustradas correndo do nada para o nada em busca de continuar existindo de alguma forma. Olhares vazios, daqueles que te atravessam ao invés de te atingir, e muitos deles inclusive já perderam a capacidade de lhe emitir alguma espécie de socorro, um pedido de socorro que lhe peça de volta qualquer grão de humanidade no meio de tanta alma embotada. É difícil reencontrar a sua quando você se dá conta de que ela já está praticamente perdida.
– Bem vinda ao inferno, disse uma voz interrompendo minhas idéias. Eu sequer havia notado que essa pessoa havia se sentado ao meu lado, naquele banco cinzento do local mais agitado da cidade. Olhei para a figura e seus olhos estavam serenos e olhando para o infinito, totalmente contrastante com os da paisagem que nos cercava.
– Sim. O inferno, respondi, ainda olhando com curiosidade para essa pessoa.
– Algumas almas já se dão conta de que não tem querência de buscar um inferno noutro lugar.
Houve um silêncio. Fiquei um pouco perturbada com a fala daquela figura. Ela dialogava exatamente com tudo o que eu tava pensando até então.
– Eu acredito piamente no inferno, continuou. Só não preciso procurar por ele, projetá-lo numa dimensão qualquer. Eu gostaria muito de viver nas mais variadas formas de inferno que a mente humana já foi capaz de criar. É garantido que são espaços muito mais agradáveis do que este.
Seus olhos em momento algum pousaram sobre os meus. Eram serenos, mas ao mesmo tempo traziam alguma inquietude.
– Você me surpreendeu. Estava absorta  nessas idéias, eu disse.
– Reconheço os estranhos de longe. São dos meus, respondeu com segurança.
– E você não acha que é ingenuidade de nossa parte acreditar que aqui é o inferno, quando que essa é a mais pura normalidade? Não seria essa uma tendência nossa de continuar a encarar a realidade de forma maniqueísta? Perguntei.
– Não acho. Você encontra com facilidade pessoas que em algum momento da vida já foram iludidas com qualquer coisa, e que agora a desilusão lhes toma conta. Acredito que muito disso tem a ver com a projeção de inferno que a nossa cultura tenta nos mostrar. Você vê que a fé cristã imputa que o inferno existe para as almas ditas em pecado mortal. Acontece que ninguém precisa morrer pra provar essa existência. A desilusão muitas vezes causa o desespero, e eu vejo o desespero como o pior inferno, o pior castigo pra alma. Não creio que essa é uma forma propriamente apegada ao maniqueísmo porque não encaro a ilusão como uma forma de céu e a desilusão como uma forma de inferno. Eu enxergo que tudo isso faz parte do inferno que nos consome minuto a minuto, dia após dia, até o fim da nossa existência. Eles te dão uma torrente de ilusões, para depois irem tirando-as de você uma a uma, até que consigam esvaziar sua alma por completo.
– E se a gente nunca deixar de existir? Digo, continuar existindo de alguma forma? Questionei.
– Nem me fale. Eu não sei responder se a gente continua existindo de qualquer forma, mas eu espero que não, por favor! Disse com certo tom de aflição e puxando um cigarro da carteira.
– É, eu também não quero. Mas você já desistiu?
– Enquanto eu viver ainda vai existir qualquer chama aqui dentro, ainda que ela não resulte em nada significativo, falou acendendo seu cigarro e olhando pra chama do isqueiro, que permaneceu acesa por alguns segundos após dizer isso.
– E por que você acha que isso daqui é um inferno? Perguntei despretensiosamente.
– Porque eu vejo a existência como um castigo pra alma. É demasiadamente difícil suportar tanta merda junta. Pra muita gente isso daqui se torna suportável graças à sequência de ilusões a que são capazes de se apegar. Eu continuo tendo as minhas, tendo consciência delas ou não, mas creio que, olhando em primeira instância, quase todas já foram consumidas pelo fogo do inferno.
– E você considera a existência de todo como algo ruim?
– Não, não é de todo ruim, mas é insuportável a maior parte do tempo. Ainda há maneiras de resfolegar no meio desse mar de lama.
– Quais?
– Não sei, isso é muito particular. Tem gente que escapa comendo merda, fodendo, se entorpecendo com psicotrópicos ou com o dinheiro. Sei lá.
– É...
– A paz de alguns é o inferno de muitos. Quero logo a minha redenção.
– E qual será a sua redenção?
– Deixar de existir.
– E se não deixarmos de existir? Não sabemos...
– Não sei se de alguma forma a nossa consciência permanece existindo, talvez nunca saberemos. Só quem já foi pra falar, mas ninguém nunca voltou nem pra isso. Creio que deve ser tão aliviante que eles nem se atreveram pra contar o quanto a morte lhes foi interessante. Enfim, eu esperarei pelo meu fim. Um dia ele terá de vir.
– É mesmo perturbador pensar que existiríamos para sempre.
– Claro que é. Deixar de existir é uma das minhas esperanças, uma das coisas que me mantém em vida.
A figura tirou o celular do bolso e olhou para o visor. Pude ver, marcava cinco horas da tarde. Era o tal horário de pico.
– Bem, eu tenho que ir agora. Preciso religar meu piloto automático, disse dando um sorriso de canto de boca e olhando diretamente para mim pela primeira vez. De qualquer forma, eu lhe agradeço a companhia. É difícil esbarrar com estranhos, e eu senti que eu poderia conversar essas coisas com você sem ouvir disparates me acusando de depressão, loucura etc. Espero esbarrar contigo de novo.
A pessoa acendeu outro cigarro, olhou fundo nos meus olhos, sorrindo um sorriso sincero. Deu as costas e foi andando calmamente no meio daquela multidão de corpos cinzentos, apressados, até sumir por completo. Ela parecia ser a única a ter cor por ali.


Conto do Pastor Cremildo (Exclusivo!)

Era uma manhã de domingo e ele andava a passos largos e decididos. Cremildo Olegário da Silva estava acompanhado de Maria do Carmo Oliveira Batista, sua esposa, e os sete filhos, todos estampando no rosto aquela satisfação de ir ao culto para se eximirem dos pecados cometidos ao longo da semana. Não que esta estampa correspondesse ao que todos estavam realmente sentindo, pois Letícia, a filha de 19 anos do casal, estava indo a contragosto, mas nada de manifestar sentimentos avessos aos do resto da família. Tinha medo dos pais e dos irmãos. Bem, deixemos um pouco de lado o caso de Letícia e voltemos ao nosso fiel da Assembleia de Deus, o grande Cremildo.

Este homem de 44 anos trabalha como porteiro de um prédio localizado na região central de Belo Horizonte. Está na profissão há pelo menos vinte anos. Conheceu Maria do Carmo em uma viagem que fez à Aparecida do Norte, quando ainda eram católicos, isso na década de oitenta. Casou-se quando tinha vinte anos e Maria do Carmo, 18. Tiveram seu primeiro filho, Jacó, no mesmo ano do casamento. Ele, na flor da sua juventude, é um rapaz obstinado e concentrado no seu objetivo de virar pastor da Assembleia de Deus o mais breve possível. Vez ou outra vai praticar um pouco da sua firme retórica nos ouvidos dos detentos da penitenciária Nelson Hungria, em Contagem. E seu pai, é claro, fica muitíssimo orgulhoso disto tudo. 

Enquanto Cremildo e a família caminhavam, todos no mesmo ritmo de seus passos, os pensamentos de nosso digníssimo estavam cada vez mais entorpecidos pela angústia de seus desejos mais profundos. A cada dia que passava, Cremildo pensava mais e mais nele, e o encantamento aumentava cada vez mais, o encantamento pelo seu andar, pela sua voz, pela sua postura vocal e pelo talento, ah... pelo grande talento que aquele homem tinha em ministrar um culto, seja aonde fosse, na hora que fosse. Mas este encantamento está concentrado no corpo dele, nas coxas dele, no volume nada modesto que ele guardava dentro de suas calças. E quem é ele? O leitor naturalmente perguntará. Estou falando de Jackson Ademilson Silveira, um pastor com grande influência na Assembleia de Deus do Barreiro, o bairro em que residia e a família de nosso amigo também. Jackson é um homem de pouco mais de trinta anos, 33 para ser exato. Casado, com quatro filhos. Está na profissão há dez anos. É atraente, dono de uma voz e um olhar terrivelmente sedutores. E foi isso que começou a construir o transe de Cremildo, e claro, a sua perturbação. Ele já estava assim havia pelo menos um mês, ficando progressivamente denso. Mais denso... E o corpo dele, e a voz dele, e o volume, o volume que o tal tinha ali dentro daquelas calças de linho. E o que dizer do paradoxo supracitado? Bem, a resposta é simples. O crente não queria se dar conta de que estava começando a sentir desejos por Jackson. Cremildo queria entrar numa zona de indistinção entre a falta do prazer que ele buscava e a admiração que ele tinha pela função de Jackson. Era a que ele recorria sempre que seus pensamentos eram inundados de fantasias pelo pastor. 
Chegaram à igreja, pontualíssimos como sempre. O culto começava às sete e meia da manhã e a família da Silva já estava lá meia hora antes. 

– Por que chegamos tão cedo hoje, pai? – perguntou Letícia, escondendo seu imenso desgosto de estar naquele lugar.
– Porque sim. Cê acha que tem hora pra chegar na casa de Deus? E quanto mais cedo for essa hora, melhor. – respondeu o pai numtom que incutisse a resignação imediata da filha.
Os outros filhos estavam em um silêncio tumular. A voz do pai sempre era a última sentença. E se um irmão era repreendido, os demais sequer ousavam em repetir o ato daquele. Quanto à mãe, a sua principal função era a de reproduzir e aplicar o discurso do pai, sem qualquer alteração. Ai dela se o fizesse.

Os pais sentaram-se na primeira fileira e os filhos, todos em silêncio, acomodaram-se no mesmo banco. Eram bancos com pouca extensão e por isso mesmo ficavam praticamente reservados à família de Cremildo. Jesimiel, o caçula de seis anos, havia metido um pequeno brinquedo no bolso, um bonequinho que veio dentro do ovo de páscoa que ganhou do obreiro da igreja, e começou a brincar com ele em cima de suas perninhas inquietas. O pai, que estava ao lado do mais velho, olhou o pequeno de rabo-de-olho e logo se inclinou para chamar-lhe a atenção:

– Jesimiel Lucas, guarda isso agora! Não é hora de brincar! – disse Cremildo em tom severo, mas em voz baixa.

O menino ouviu o pai e logo voltou com o brinquedo para dentro do bolso e permaneceu olhando para baixo, resignado. Letícia lançou um olhar de esguelha para o irmão e sentiu uma leve inquietação por dentro, porém se conteve. Os outros irmãos estavam todos olhando para frente, mantendo o silêncio que o ambiente presumia manter.
De uma porta aos fundos do altar, Jackson apareceu. Estava rodeado de fieis conversando alegremente com ele, entre os quais a maioria era de mulheres, quase todas solteiras. 

(Continua...)

quarta-feira, 19 de março de 2014

Life.

Life is becoming an unbearable place to me. I simply don't know how long I will afford it. Life. You have to be strong. You're forbiden to be sensitive for a long time. I confess, I am falling down. I am the soldier who is a step to desert. Yes, because this life is pretty much a war. Nothing more than a war. You and me are the soldiers. Our enemy is our own weakness toward insanity (or it'd be our sanity?). Don't think. Act. You are living into a deep, a well built lie. Do not think much about that, this is the order. You will always end up the unique guilty of this sucky history. Yes, life sucks. You will never find the answers you step. Life doesn't worth it. Don't think. Act. The main challenge is your own insanity. It has been tested since the monster you just discovered inside yourself. Kill the monster if you are strong enough. Yes, this is an eternal dwell. You're in the crossfire.

Monsters.

Some are able to find it.
Others will die with them.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Do vínculo

Me doeu. Muito. Mas tive de fazer. Eu tive que me aprumar pro meu devido lugar, não pro esgoto que você insistiu que fosse meu habitat natural.
Eu gostei. Um pouco, mas gostei. Fiz o que tava ao meu alcance pra tentar te mostrar que você não é exatamente o que pensa de si. Recebo isso de volta. Normal. O ser humano é movido pela dor. O jogo tava fácil, né? Tava? Sei não. Tu que disse isso.
Quase ninguém me apoiou. Natural. Não teria de esperar apoio de ninguém. Foi um troço bobo, né? “Pra que você fez isso? É grave”. Se não me disseram isso em palavras, disseram em olhares. Cheguei a me arrepender. Senti dor, muita dor. Senti culpa. Mas agora não, já chega. Só eu sei o que passei contigo nesse tempo de merda aí, ó. Tortura, só tortura. Mas quem gosta consente, né? É, foi o que você pensou. É o que muita gente pensa. Acham fácil romper o vínculo. Todo mundo acredita que romper vínculo tem de ser sempre algo racional, feito de pronto, ali na hora. Já acreditei nisso também. Vez ou outra ainda dou umas mancadas. Na falta do que falar pro vinculado que tá sofrendo, apelo pra essa miséria aí.
Já me mandaram te esquecer. Não conseguia. Vínculos... Só tá faltando um tantinho assim, ó, pra acabar tudo de vez. Poderia ter sido de outra forma, mas você não quis. Nem pra isso tu conseguiu ter dignidade.
Não vou mentir que ainda tô confusa. Mas segui o que eu acredito. Agora já era. Nada vai garantir que tu vai aprender a respeitar os outros daqui pra frente. Nada. Na verdade, nem boto fé que isso vá acontecer. Já deu pra ver qual é a tua.
Ainda dói lembrar de umas coisas. Mas meu vínculo contigo já foi rompido. Pra sempre.



Adeus.

quarta-feira, 20 de março de 2013

sold for nothing

we sell our mind
we sell our consciousness
we sell our body

for nothing

we trade our nature
we trade our thoughts
we trade our negligence

for nothing

and when we have no more 
to be explored
our counciousness 
will be replaced

by nothing.

we will vegetate.
we will get mechanized.

and even the simply gesture
of rising our head up
will already have been 
sold

for nothing.


segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Eu gostaria muito de saber o que eu estou fazendo nesse mundo. Eu não quero saber se é pra aprender x, y ou se é pra evoluir a alma. FODA-SE. Não quero. 
Por que temos que viver obrigados? Qual é a função de estar neste inferno chamado "vida"? Isso pra mim não faz mais sentido. A minha paciência já tá lá na puta que pariu. 
E sabe o que é pior? Não saber o que vem depois da vida... Se tiver alguma coisa depois dela, você vai ter que aturar mais merda. Por que que tudo não acaba duma vez? Se tiver alguma coisa depois da morte, você simplesmente não tem a opção de deixar de existir. E se tiver, vai ser a minha primeira...

De onde tirar forças pra enfrentar as merdas da vida? É só desânimo atrás de desânimo... 
Por que ter que viver a vida? Por quê??? A vida em si é só provação. E temos que ser obrigados a vivê-la.

Sem mais.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Angústia

É. É esse sentimento que tá dentro de mim e não sai por nada. A verdade é que não vejo mais sentido em continuar e nem em porra nenhuma. A única coisa que sinto é vontade de sumir, virar pó, desintegrar para sempre. E não me importo se isso parece coisinha de revoltado. É muito fácil olhar o problema dos outros e tratar como merda qualquer. Se você estivesse no lugar, sentindo exatamente as mesmas coisas, não falaria merda alguma.

A angústia constante é algo que dilacera a alma, o peito e, com isso, larga todo o teu ânimo pra trás. Eu, por exemplo, só faço que faço hoje porque tenho a obrigação de fazer. O prazer de fazer praticamente não existe mais, já foi pro saco.

Não adianta tentar "animar" falando coisas como "você tá deixando isso tomar conta de você" ou "pare de comodismo", porque isso NÃO DEPENDE apenas da vontade da pessoa, pois existe algo maior que te afunda; pisa e tira TODA a sua vontade e força de querer se ajudar ou fazer qualquer coisa. E eu, infelizmente, já aprendi o que é isso. Logo, não dá pra gritar por socorro pra ninguém, pois NINGUÉM vai querer te ouvir, muito menos te ajudar.

Portanto, a pergunta que resta é: o que fazer, então?
É a resposta que eu mais quero...

domingo, 27 de fevereiro de 2011

O milagre do samba

O que fazer quando alguém te machuca? Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima! Ah... Como eu gosto das citações dos sambistas... Sempre soam sábias e, claro, são atemporais. Pra mim, não há palavras que mais tapam aquele buraco da alma do que algumas de um bom e velho samba-canção.

Samba. Simplesmente samba. Simplesmente poesia do samba. Poucas palavras que dizem mil verdades. São palavras simples, mas muito bem escolhidas. E essas são as que podem ser compreendidas desde o pedinte ao executivo. Elas não têm firulas gramaticas, tampouco regras poéticas. A poesia do samba já criou o seu próprio estilo poético: a poesia do povo.

Não existe língua mais democrática que a cantada por Noel, Cartola, Zeca ou Vinícius. Não existe cor, credo, raça ou qualquer tipo de ressentimento. Ela é para todos, cantada e sentida por todos.

O sentimento do samba vai desde a alegria mais enlouquecida ao da tristeza profunda, que parece incurável ou irreparável. Ele chora com a gente. E apaixona com a gente.



Pra tirar a poeira

Só tô dando uma passada aqui pra poder tirar a poeira do blog...

Tá tão abandonado, coitado :(

Mas, em breve, devo voltar com os meus contos do cemitério.


Té mais!

sábado, 20 de março de 2010

Neblina

Névoa
Fog
Nuvem
Neve
Nevasca
Branco
Chuva forte
Esbranquiçado
Esfumaçado
Fumaça
Acinzentado
Cinza

sexta-feira, 19 de março de 2010

Nada

é uma das piores sensações que existe
é sentir um vazio dentro de si seria

Nada

Tudo o que se costuma querer é o além
e talvez ele seja o tudo-

Nada

O tudo às vezes parece ser pouco
existe algo que preencha o

Nada

?

Não
Tudo o que existe é pra preencher

Nada

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

INTP - "Architect". Greatest precision in thought and language. Can readily discern contradictions and inconsistencies. The world exists primarily to be understood. 3.3% of total population.
Free Jung Personality Test (similar to Myers-Briggs/MBTI)

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Moedor de ego

 Apenas um sonho moedor de ego Pensou que passaria incólume? moedor de ego Aqui, mais um dia, desabafando na máquina de escrita moedor de eg...