Apenas um sonho
moedor de ego
Pensou que passaria incólume?
moedor de ego
Aqui, mais um dia, desabafando na máquina de escrita
moedor de ego
Um desabafo que vomita o moedor cotidano
moedor de ego
Apenas um sonho
moedor de ego
Pensou que passaria incólume?
moedor de ego
Aqui, mais um dia, desabafando na máquina de escrita
moedor de ego
Um desabafo que vomita o moedor cotidano
moedor de ego
Confissão número um (A fiel)
Ainda não sabia o que estava acontecendo dentro de mim. Queria fugir daquele imbróglio emocional que tomava conta de mim. Permanecia em prece todo santo dia. Nada resolvia. Ele, o frade, o misterioso frade, não saía de meus pensamentos nem que eu passasse todas as vinte e quatro horas do dia disponíveis de joelhos no genuflexório. Ou dentro de casa. Poderia me ocupar de todos os trabalhos manuais, domésticos. Não sabia quem era o frade. Não sabia qual o seu nome. Ele não percebeu. Provavelmente não. E eu rezo para que isso não ocorra. Sei que isso incorreria em grave pecado. Não. Não posso. Tenho muitas coisas para fazer.
Confissão três
(O frade)
Demorei um tempo para começar a escrever sobre o assunto. Estou inquieto. Confuso. Desde que cheguei, não quis registrar sobre porque havia outras coisas para registrar em meu diário desde que cheguei na diocese. Ainda não me confessei com o padre. Estou digerindo as emoções junto a Deus e do pároco. A bem da verdade, não queria estar passando por isso. Contudo, é a minha vocação. Não há sacerdócio sem tentação. Não consigo parar de pensar na fiel. Ela não sabe que a vi. Ela inclusive não quer que eu a perceba. Comecei a me perguntar se ela teria alguém. Cortava meus pensamentos logo imediatamente com alguma jaculatória. Eles ficavam mais fortes. Dediquei mais tempo ao serviço na diocese. Às minhas preces. Não vi solução. Se não aparecia durante o dia em meus pensamentos, ela viria em sonhos. Continuarei rezando por ela.
Confissão número dois
(A fiel)
Acredito que ele ainda não sabe de mim. Prefiro que assim permaneça. A tentativa de controlar as coisas estão as tornando piores. Ele não sai da minha cabeça. Ainda que eu aumente minha carga de trabalho dentro de casa, nada funciona. Dobrei minhas preces, voltei a visitar os doentes no hospital de meu bairro. Tornou-se não um serviço voluntário, mas quase uma obrigação, uma fuga. Estava buscando alívio ao invés do serviço sincero e desinteressado. Qual era o nome do frade? Não sei. Meu peito doía em anseio de poder vê-lo novamente.
Confissão número cinco
(O frade)
Ela comparece aqui hoje? Por que me pergunto isso? Não tem aparecido nas últimas missas, tampouco tem prestado serviço na igreja. Sondei informações a respeito. Ela é assídua no serviço à igreja, aos pobres e aos doentes. Soube que vem se dedicando aos doentes nos últimos dias. Estou na tentação de saber qual é o hospital que ela tem visitado; oferecer meu apoio. Sei que se fizer isso, não o farei segundo a vontade do Pai, mas darei vazão às minhas próprias concupiscências. Nas mãos de Deus estão todas as minhas tentações. Oh, amado Deus, não deixeis que vosso filho caia em tentação. Livra antes a tua filha do mal a mim. Amém.
Confissão número três
(A fiel)
Cheguei tarde do hospital. Cansada. Hoje tive um pouco de trégua. Pude ter foco durante a maior parte do tempo na prestação de serviços. Mas no fundo da minha mente o frade estava ali. Tenho trocado o horário das missas pelo voluntariado. Dou graças a Deus por ter condições financeiras o bastante para me dedicar ao serviço ao próximo. É minha vocação. Por vezes sinto que não faço o bastante e percebo que pensar demasiadamente no frade é um sinal de que algo em minha serventia não vai bem. O que será? Tenho rezado por isso.
Confissão número nove
(O frade)
Aqui estou mais uma vez. Tenho tido medo dos meus próprios pensamentos desde que pousei meus olhos na fiel. Não sei mais do que sou capaz. Apesar de ter aumentado as orações, o trabalho junto à diocese, nada tem adiantado. Alguns dias são mais leves e outros mais pesados. Nos dias mais pesados de trabalho eu consigo focar no trabalho. Mas logo durante a noite, quando tenho algum tempo a sós com Deus, é quando meus pensamentos sobre ela aumentam significativamente.
Confissão número quatro
(A fiel)
Preparei o almoço logo de manhã. Precisei sair durante a manhã e tudo já deveria estar pronto quando fosse almoçar. Logo depois fui à vendinha da igreja. Estavam precisando de alguém no balcão. Cerca de uma hora depois o frade apareceu. Ele me olhou fixamente nos olhos, disse-me bom dia. Havia duas senhoras no local. Elas se foram e ele ficou. Momento de tensão. Ele escrutinou toda loja e eu o observava. Escolheu uma imagem de São Judas Tadeu e dois terços para levar. “Boa tarde, filha”, ele disse. “Boa tarde, frade”. O cumprimentei da maneira como deveria. Houve um breve silêncio constrangedor. Por um momento ele me encarou, como que quisesse saber de alguma coisa. Seus lábios se entreabriram. Esperei que fosse falar alguma coisa, mas ele deu um breve sorriso e olhou para o chão com timidez e constrangimento. “Serão a imagem e os terços?”, perguntei. “Sim”, ele respondeu sorrindo timidamente para mim. Ele mais uma vez olhou fixamente em meus olhos, despediu-se e foi embora. Esse momento pareceu durar uma eternidade.
Confissão número dez
(O frade)
Estive presente na associação paroquial hoje. Foi um dia atribulado. Muitas pessoas para atender, confissões inesperadas. Almocei com o pároco da igreja e ele me pediu que eu preenchesse o cadastro dos fiéis que estavam cadastrados para o próximo almoço beneficente da igreja. Logo depois do almoço passei na vendinha da igreja. Lá estava a fiel. Comecei a murmurar algumas jaculatórias antes que fosse tomado pela tentação. Não adiantou muita coisa, para ser franco. Meu corpo foi tomado por fogo dos pés à cabeça. Senti, não entrei em relutância, como recomendou o pároco da igreja. Mas não queria que isso fosse percebido por ela. Continuei concentrado, procurando por São Judas e dois terços que precisava. Foi a primeira vez que troquei palavras com ela. A cumprimentei, paguei e fui embora.
Confissão número cinco
(A fiel)
A imagem dele perseguiu todo o dia de ontem até os meus sonhos. Eu o encontrei numa paisagem. Estava sentado sob a árvore com um livro nas mãos e eu à distância o observava. Não sabia o que sentia. Sabia que não podia almejá-lo, e tocá-lo tornaria as coisas piores. Então eu me contentava apenas com a contemplação. Era uma tortura doce, porém ainda uma tortura. Não havia me confessado sobre isso a ninguém, apenas a Deus. Acordei hoje cedo e senti a necessidade de escrever sobre este sonho. Ainda estava envergonhada dos meus sentimentos pelo frade.
Confissão número onze
(O frade)
A sensação que tive hoje cedo é que a encontrei em sonho. Não me lembro de muita coisa, mas precisei deixar o registro agora, assim que acordasse. Não devo deixar o pecado da concupiscência me dominar. O pároco me orientou continuar escrevendo sobre este assunto. Que não precisaria confessar a não ser que eu viesse a consumar de fato o ato, porque os pensamentos já estavam então confessos a ele. Que era para continuar vigiando e orando. Hoje preciso sair da cidade. Tenho uma associação para visitar a 150 km daqui. Vou em prece durante a viagem, pois sei que estes momentos de vacância podem ser tentadores.
Confissão número seis
(A fiel)
Não saí de casa hoje. Fui ver a papelada da herança que o papai me deixou. Oh, papai, como gostaria que estivesse aqui comigo. Sinto falta de sua presença, de nossas idas às missas dominicais. Sinto falta da sua bondade. Contudo, sei que estais em perfeita companhia. Sua fidelidade é aquela que eu gostaria de me inspirar. Rezo por sua alma todos os dias. Rogo pela alma de mamãe também.
Fiquei por conta destes papéis e da arrumação da casa. Tive paz enquanto fazia tudo isto. Fiquei numa espécie de prece ativa. Oração contínua em e para tudo o que fazia. Anoiteci bem e em paz.
Confissão número treze
(O frade)
Meu dia não foi nada bom. Não consegui me concentrar em absolutamente nada do que fazia. Meu coração palpitava e pulsava sem cessar a cada segundo que lembrava da fiel. Meu corpo estava ardendo em brasas. Quase caí em tentação. Quase pequei contra a castidade. Não consegui trabalhar. Tentei ficar em meu quarto, apesar de esta não ser a recomendação do pároco. Oh, meu Pai do Céu, tende piedade de mim e das minhas misérias.
Confissão número sete
(A fiel)
Descobri que não estava rezando o santo terço da forma correta. Pode ser por isso que as tentações estejam grandes. A minha maior tentação da atualidade tem sido a luxúria. Pensei que havia superado, mas não. O irmão da igreja, o frade. Sequer sei o seu nome. Oh Deus meu, como sou tão vil e egoísta. Perdoa-me. Proteja-o de mim. Tenho tentado ir à santa missa em horários alternados, mas nada resolvido. Todas as missas que vou, lá está o frade, exatamente em todos os horários que vou. Senhor, tende piedade de mim.
Confissão número quatorze
(O frade)
Percebi que tenho encontrado a fiel nos mesmos horários que vou à santa missa. Falta confissão? Deus meu, esta é realmente a minha vocação? Não seria o ideal eu deixar isto para trás? Estou preferindo a morte para ser-Lhe franco, meu Pai. Perdoa-me proferir estas palavras, mas odeio a minha vida neste momento, Senhor. Sinto-me distante de Ti. Fiz tudo o que o pároco manda, confissões, penitências, serviços. Por quê? Arranca do meu peito tudo isso que sinto! O que devo fazer agora?
Confissão número oito
(A fiel)
Pequei contra a castidade na última noite. Eu não me contive. O que faço agora, Senhor? Como pude? Preciso me confessar urgentemente ao padre da igreja. Tudo isto com o frade em mente. Como me sinto suja. Como me sinto horrível. Gostaria que o frade não soubesse disso, mas Deus haverá de mostrar a ele o que aconteceu.
Perdoa-me Senhor, perdoa-me. Hoje mesmo procurarei o padre para me confessar.
Confissão número quinze
(O frade)
Sonhei que estava em intimidade com a fiel. Não pode ser. Não estou livre sequer em meus sonhos. Acordei no meio da noite com o corpo abrasado, meu membro rijo como uma pedra, suando em bicas. Foi tudo tão real, tão intenso. Não vou mentir que foi uma das melhores sensações de minha vida. Nunca estive com mulheres. Esta foi a primeira. Sequer a toquei. Senhor, estou me sentindo sujo por desejar possuí-la. Não anseio, neste momento, mais nada em minha vida senão aquela mulher.
Confissão número nove
(A fiel)
Fui me confessar na igreja com o padre durante a tarde. Quem me recebeu foi justo o frade. Ele estava sentado em um banco. Era o único presente na igreja. Estávamos a sós. Precisaria me confessar com ele? Justo com ele? Não, ainda não. Resolvi sentar-me e rezar diante do Santíssimo. Não deu cinco minutos e ele se aproximou e sentou-se próximo a mim. Seus olhos estavam radiosos e decididos. Penetrava-me a alma. Eu sabia exatamente o que ele queria, e eu não podia disfarçar que não sabia. Ele queria que eu entendesse o que estava sentindo com apenas um olhar. A mensagem estava explícita. Já havia cometido adultério tantas vezes em pensamento com este homem, não sabia mais o que fazer. A respiração dele era contida, porém um tanto ofegante. Suas emoções me enebriavam. Seus lábios estavam entreabertos e úmidos. Ele encarava-me os olhos e a boca. E eu o correspondia. Ele então entendeu que era correspondido. Sorriu e olhou para baixo timidamente porque o local era inapropriado. Sentia-me como um bicho. Seu olhar pousou longamente para o chão porque ele também pensava o mesmo. De fato estávamos pensando as mesmas coisas. Comecei a sorrir também e ele devolveu-me o olhar, entendendo tudo o que estava se passando. E então disse: “já não sei mais o que fazer, perdoa-me”. Meu corpo ficou arrepiado da cabeça aos pés como eu nunca havia sentido antes. Ao que respondi: “nem eu, perdoa-me”
“você aceitaria um convite para passear no parque?”
“sim”
Neste momento ele sorriu com os olhos e olhou timidamente para baixo. Vi sincera satisfação em seu rosto.
Fomos ao parque que ficava mais próximo da igreja. Naquele dia, ele estava com poucas pessoas. Senti que nada atrapalharia aquele momento. Ele começou a contar sobre a sua vida, sua vocação e fui eu a sua confessora. Disse que não havia professado votos perpétuos. Ele deu um sinal de que queria me ver novamente no dia seguinte. Entregou-me o número do seu telefone e disse que estava disponível para conversar mais vezes. Não percebi como sendo algo tentador ou pecaminoso. Havia a mão de Deus nesta situação. Contudo, terminei este encontro dizendo: “Senhor, abençoa-o e, contudo, seja feita a vossa vontade e não a minha”. Ainda com certo receio, mas leve, encerrei meu dia. Feliz pela grata companhia do frade mas, sobretudo, de Deus.
Estes tempos que vivemos revelam uma coisa que sempre fizemos: o descarte. De ideias, coisas e até pessoas. Costumamos comparar tempos passados como melhores, mas a realidade é que nossos aparatos tecnológicos só revelaram que mantivemos as mesmas tendências de sempre, mas com outra fantasia. Não quero dizer que as coisas não devam mudar, que devemos permanecer estacionados no tempo. O que consegui entender por detrás dessa queixa não é, essencialmente, a resistência à mudança, mas o descarte de princípios essenciais que nos mantêm vivos como a comunhão, a partilha, o convívio harmônico e fraterno com nossos familiares e semelhantes - enfim, o amor ao próximo.
É compreensível que muitos de nós tenhamos resistência a esses princípios, uma vez que eles vinham embalados em uma cultura rígida, ou seja, hipócrita. Nós quisemos nos libertar da embalagem que era bonita por fora e feia por dentro, mas agora não sabemos o que fazer com o conteúdo, que é o essencial, pois o recusamos de pronto por desconhecê-lo completamente. Por isso bate essa sensação de desamparo. Quando nos sentimos desamparados, a tendência é achar que somos descartáveis e por isso fazemos isso com o próximo antes que ele faça conosco. É uma espécie de descarte preventivo, pra evitar a dor antes que ela aconteça. Isso é como o velho bicho papão da nossa infância: ele existe até que chegue um adulto, acenda a luz do quarto e mostre que não tem nada ali. [1Jo:4-18]
Essa sensação de desamparo vem pra mostrar que nem sempre as coisas que julgamos seguras são de fato a segurança. É que o mundo que a gente vive tem uma sensação de realidade que parece incontestável. Eu particularmente aprendi que não é mais a sensação dessa realidade que me dá a segurança, mas a fé que tive de adotar por não mais confiar nas seguranças que este mundo me apresentou desde sempre. Antes de abraçá-la, tive meus preconceitos, e embora pouco saiba sobre ela, já está fazendo transformações profundas na minha vida. Sim, causa medo, é uma forma de viver que ainda desconheço, mas eis que ali, aos poucos, tenho encontrado uma paz e um descanso que o mundo jamais me ofereceu. [Ef. 4:22]
If you are new here, welcome! If you take a quick look at this blog you might feel a little bit lost. Because you have many options when it comes to literature genre - but it is not the case now.
The main thing here is Neurosis - and I personally am feeling compelled to write it by the 12 steps program. I'm here to give you an overlook on how it is working on my personal life. And I am not not a professional on mind health or anything like that. I'm a simply practioner of it.
I realized I'm a neurotic person once I felt I was completely powerless over my emotions - and it still is a reality. Could realize that the emotions could not be controled by mind itself. In 12 steps programs it is called self-sufficency and specifically there it is not recommended to live like that. It is recommended to believe in a higher power, or God, as you can concept and accept.
Once you honestly assume you are powerless over your emotions and adictions of any sort, you gave the first step to receive help from God and the fellowship itself - which is important to say that it is a spiritual one. The main purpose there is not being an academic fellowship, but a spiritual one. It is important to have that discerniment.
Our mind by themselves can't be saved at all. We need to be humble enough to accept only God can saves us from our failed self-sufficiency.
Living a day at a time.
Sober just for today.
I didn’t know the meaning of “intuition”. Once I was not humble enough to conceive I had an intuition, I could never have a hint about that. I grew up with the idea that I shouldn’t be in touch with my own sensitivity. Being “too emotional” would be a sign of weakness. But ok. I’m not here to share about my past neither to mourn over them. I’m here to talk about intuition.
But what does that mean?
I’ve learned that intuition is nothing but being in touch with the divine within me, and I understand that as being one with it means Love and Grace. Once I am in touch with this feeling, I feel compelled to act in a way I’m not used to. It’s like a sense of service; being aware that you are part of something greater than you. It’s not complicated, it is a simple thing once you have some good will to accomplish the tasks your intuition, The TRUTH, asks you to do.
And how to be in touch with that intuition?
Well, all I can do is sharing my own experience with you. I personally like to pray and study about spirituality and religions. It keeps my mind open to that. It’s a very personal thing and I don’t think we all share the same way of being in touch with spirit.
Não existe um porquê, um para quê. Quando, onde, como.
Apenas É.
A linguagem do espírito é infinita demais para caber no vocabulário.
Um pensador francês certa vez disse que as palavras seriam autoritárias, porque elas obrigam a dizer o indizível. Hei de concordar.
Não há qualquer fórmula intelectual pronta que consiga traduzir a verdade da alma — do espírito: a única que existe.
Ela é poética. Ela é prosaica. Portanto, verdade.
Deixa ela falar.
[Jo 1-1]
Apenas um sonho moedor de ego Pensou que passaria incólume? moedor de ego Aqui, mais um dia, desabafando na máquina de escrita moedor de eg...