Me doeu.
Muito. Mas tive de fazer. Eu tive que me aprumar pro meu devido lugar, não pro
esgoto que você insistiu que fosse meu habitat natural.
Eu gostei.
Um pouco, mas gostei. Fiz o que tava ao meu alcance pra tentar te mostrar que
você não é exatamente o que pensa de si. Recebo isso de volta. Normal. O ser
humano é movido pela dor. O jogo tava fácil, né? Tava? Sei não. Tu que disse
isso.
Quase
ninguém me apoiou. Natural. Não teria de esperar apoio de ninguém. Foi um troço
bobo, né? “Pra que você fez isso? É grave”. Se não me disseram isso em palavras,
disseram em olhares. Cheguei a me arrepender. Senti dor, muita dor. Senti
culpa. Mas agora não, já chega. Só eu sei o que passei contigo nesse tempo de
merda aí, ó. Tortura, só tortura. Mas quem gosta consente, né? É, foi o que
você pensou. É o que muita gente pensa. Acham fácil romper o vínculo. Todo
mundo acredita que romper vínculo tem de ser sempre algo racional, feito de
pronto, ali na hora. Já acreditei nisso também. Vez ou outra ainda dou umas
mancadas. Na falta do que falar pro vinculado que tá sofrendo, apelo pra essa
miséria aí.
Já me
mandaram te esquecer. Não conseguia. Vínculos... Só tá faltando um tantinho
assim, ó, pra acabar tudo de vez. Poderia ter sido de outra forma, mas você não
quis. Nem pra isso tu conseguiu ter dignidade.
Não vou
mentir que ainda tô confusa. Mas segui o que eu acredito. Agora já era. Nada
vai garantir que tu vai aprender a respeitar os outros daqui pra frente. Nada. Na verdade,
nem boto fé que isso vá acontecer. Já deu pra ver qual é a tua.
Ainda dói
lembrar de umas coisas. Mas meu vínculo contigo já foi rompido. Pra sempre.
Adeus.