terça-feira, 16 de junho de 2009

Corpo ainda fresquinho (3º dia após a minha morte) - Da série "Experiências Póstumas"

Enquanto eu estava deitada na grama do cemitério da Paz, onde fui enterrada, eu enchia a cara de pinga e pensava no que deveria ter feito. Fiquei surpresa com o que alguns outros colegas defuntos mais experientes me apresentaram. O quê? Ah, algumas coisas que eu viveria, mas que não pude, porque a Sra. Morte, como sempre, chegou de surpresa. Mas eu ainda estava aprendendo o que de divertido eu poderia fazer enquanto ainda vagava por esse mundo intestinal.

Resolvi dar uma visitada na minha antiga casa. Fui andando tranquilamente pela avenida Catalão e percebia que algumas pessoas olhavam para mim, porque eu, como nova defunta, ainda não sabia lá reconhecer muito bem quem estava vivo ou morto; e principalmente crianças me olhavam. Daí me lembrei daquele papo de que elas podem ver fantasmas mais do que adultos, a não ser que seja médium ou qualquer bosta do gênero. Relevei e continuei caminhando pela avenida, com um cigarro na mão e um resto de whisky que havia conseguido na saída do cemitério com um presunto recém-assassinado.


Voltando para o cemitério, lá pelas dez da noite, encontrei alguns transeuntes de cabelos grandes e esvoaçantes, todos vestidos de preto. Pensei logo que poderiam ser os famosos frequentadores de cemitério, e realmente eram: os góticos. Tomei um susto tremendo quando vi o primeiro deles: tinha cabelos longos, a barba grande e o olhar afável. Logo pensei estar diante do Filho de Javé, mas não, era só mais um dos urubus frequentadores do Cemitério da Paz.


Entrando lá, vi aqueles pseudo-carniceiros fumando a maconha que os defuntos haviam plantado com tanto labor e amor. Resolvemos fazer uma revolta contra aquilo e achar alguma maneira de assustá-los de vez dali. Juntei-me ao Jão da Pinga e mais uns seis que eu havia conhecido no dia do meu enterro. O Jão era o mais velhaco do grupo e sabia sempre quando alguém temia espíritos, “sinto n’alma” dizia ele. O Pirambóia, um defunto de uns quarenta e dois anos, propôs que passássemos correndo perto deles, pois só assim eles teriam a percepção da nossa presença. O da Pinga tinha me contado que esse daí era um médico paranormal e que entendia do assunto. Então, nós nos dividimos: eu, Pirambóia e Marculim; Jão da Pinga, Gervásio, Tonim e Bengão. O meu grupo foi para onde havia a maior concentração de urubus e o grupo do Jão foi espiar a plantação de maconha. 


Cheguei por trás do gótico que achei ser Jesus e dei um sopro bem no ouvido dele. Ele se assustou e olhou para trás rapidamente e os demais que estavam com ele ficaram meio apreensivos. O Pirambóia passou correndo na frente de uma menina que estava com uma garrafa de vinho Chapinha na mão e que era a primeira vez que pisava num cemitério durante a noite, com propósitos (obviamente) fora do normal: estava se iniciando na cultura urubunista.


De súbito, ela se levantou, agarrou-se no pseudo-Jesus e começou a gritar horrendamente com aquela vozinha de patricinha recém-saída do goticismo shoppiniano. Começamos a rondar o grupo dos góticos infortuitos e alguns deles podiam nos perceber claramente. Pelo menos uns quinze deles, já que no bando havia quarenta, fora os que estavam de gaiato se metendo com a nossa erva. 


Pelo menos uns trinta deles começaram a correr e os outros dez ficaram parados feito mulas, porque acreditavam ter encontrado o cão ali e queriam ser levados por ele. Os outros gatunos maconheiros, uns dez, estavam sendo assustados pelo grupo do Jão da Pinga. Então, pelas minhas contas e as dos meus colegas, havia pelo menos sessenta urubus naquela noite.


Perguntei pro Jão que porra era aquela, daí ele serenamente olhou pra mim e respondeu, “minha fia... é qui hoje é aniversário daquele ali que parece Jisuis. Todo ano eles vêm pra cá e comemora, porque acha que ele é a encarnação dele, só que essa versão aí é a que eles acreditam ser o fio do diabo; eles acham que esse aí é o Sarvador deles”. Eu simplesmente dei um meneio de cabeça ao ouvir a resposta do meu amigo e tomei o último trago do meu whisky pra ver se pegava logo no sono.



                                   
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segunda-feira, 15 de junho de 2009

Momento ficção

Partindo desta sessão, que está servindo apenas como um "marcador", pretendo publicar as minhas produções "literárias". Divirtam-se (no sentido duplo da coisa).

terça-feira, 31 de março de 2009

Banheiro Feminino

Ah... O banheiro feminino! Há lugar que desperte mais intriga nos homens do que este? Acredito que não. Nunca irão saber o que ocorre entre aquelas paredes azulejadas. Por mais que o nome "banheiro feminino" nos aluda à ideia de que este seja um lugar público, ele jamais o será. Porque segredos (cabeludos ou não) já foram revelados (muitas vezes escandalizados) ali dentro, mas por incrível que pareça, muitas vezes não ultrapassam das portas.
Ele pode ser sujo, fedido, limpo, cheiroso, horrível, bonito, luxuoso, pobre. Pode revelar histórias e estórias. Papéis higiênicos imundos de sangue (ou podem denunciar) a quantas andam o ventre de uma mulher. E nos casos mais extremos, denunciar gravidez que era desejada, ou não (às vezes, da pior maneira). E não precisamos ir muito longe para analisar isso. É só aparecer por ali e pronto.
O banheiro feminino é cúmplice das mulheres. Jamais nos deixará na mão. E essa própria aura de cumplicidade que reveste tal lugar, muitas vezes pode contribuir para que um segredo entre duas mulheres (desconhecidas por exemplo) seja mantido. Só depende de quem está trancada numa daquelas misteriosas portinhas, usando o vaso; seja lá pelas necessidades fisiológicas, ou por simples prazer de escutar a conversa íntima dos outros.
Parece que ali é o local sagrado do sexo feminino. Um simples retoque de maquiagem, trocas de absorvente, desabafos doloridos, mágoas, choros, planos, traições, alegrias: todos são frutíferos para nós, mulheres. Podem ter certeza, meus rapazes. E se vocês querem realmente descobrir o que se passa dentro de um toillet feminino, vão ficar ao sabor de suas curiosidades. Não há como transmitir o que se passa ali dentro. Ali é o único local ainda imaculado, o único ainda "virgem", onde só é permitida a entrada de mulheres. Não, não é óbvio dizer isso. Por mais que algum dia nós tentemos transmitir-lhes o que se passa ali dentro, não será possível. Vocês mesmos já dizem que "mulher não é bicho fácil de ser entendido". Então, é melhor voltar para a conversa sobre o seu time de futebol...

quarta-feira, 21 de maio de 2008

A mentira

Assunto corriqueiro, mas polêmico. Incomoda bastante, e sempre incomodará.
Tá certo que às vezes precisa de umas ou outras para se salvar [SE SAFAR!]; mas isso não é motivo para abusos... convenhamos.
Alguém que sorri pra você, mas por trás esconde o mais alto teor de cinismo. Alguém que diz que te ama, mas na verdade não tem nada ali dentro do peito dela...
É o ciclo vicioso mundano: porco e insolente. E infelizmente sempre o será.
A mentira jogada ao vento é produzida pelos fracos que têm medo da verdade e querem se iludir assim.
Os piores são aqueles que usam dos seus sentimentos para alimentar o próprio ego. Esses sim estão condenados à cadeira da morte impiedosa [nossa!].
Tudo tem um fim e por que logo a mentira não teria um? A digníssima verdade sempre aparece para desnudá-la. SEMPRE.

É difícil se desviar desse vício mundano, mas como diz a frase : "just keep trying hard" [é... capitalismo onipresente! Ó!!]

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Razão-loucura

Uma das minhas maiores curiosidades é acerca da razão e da loucura que é delimitada por ela. Muito sutil por sinal. Já também virou lugar-comum escrever, blogar, falar, conversar, fuder e beber sobre tal assunto. Mas pelo menos acho que isso tem cabimento, porque nunca terá cabimento alguém achar a razão pra alguma loucura e uma loucura para uma razão. Daí a RAZÃO pela constante procura.
É que nem Machado de Assis gostava de fazer: dar corpo aos seus personagens a partir de tal polêmica. E esse sim sabia fazê-lo com maestria! [Eu sei que tem mais, tá? :) ].
Encontrar [ou tentar] a razão vai ser sempre tarefa árdua, justamente por consumir alguns vinténs da sua sanidade. Transcorrer sobre a loucura vai demandar alguns pontos de sanidade, porque é preciso um pouco de sobriedade para tal atividade.
Enfim... É o que vos digo... em poucas linhas, já deu para causar algum desconforto mental, mesmo que este seja visual, entrando em conflito com o que tens aí dentro da sua cuca.

Está bem vago o meu texto. [perdoem-me por isso]

Mas como ser direto em um tema tão esquivante para a razão?

Pense e enlouqueça!

Lugar-Comum

Essa é a fase da vida na qual se entra em choque com o novo "real"...
Nada deixa de ser real, mesmo enquanto se é criança. As coisas apenas tomam corpo diferente, quando se cresce.
Já se tornou um lugar-comum essas coisas de questionamentos e etc... qualquer um pode fazer um básico e bem corriqueiro [e ainda acreditam que podem mudar algo com isso]. Mas é melhor do que nada.
Tento mudar a minha postura de resignação, mas continuo tão parada como a maioria.
Contitnuo sucinta... pensamentos breves para anotações "webais"

Volto em breve.

domingo, 17 de junho de 2007

além do tempo e do espaço

Tempo
O que é isso?
Falar de tempo, com quem é escravo dele, é difícil...
Pressa ...
Calma controlada pelo tempo, em contraposição à pressa...
Então isso não é calma, porque ela está atrelada, escravizada pelo tempo empiricamente calculado.
Se esquecem de que possuem um tempo. Sabem disso, mas na forma do "senso-comum". Ou seja, não há crítica. Exemplo: "cada um tem seu tempo". Mas, majoritariamente, caem em contradição, por causa da pressa que os acometem sempre.
O Tempo Universal sempre controla os aparelhos nos pulsos, nos telefones-móveis, painéis digitais...
Não se usa mais o tempo para coisas úteis, para o que é verdadeiro, autêntico, porque acredita-se que é "perda de tempo".
Isso é irônico. Se o fosse feito, cada microcosmo seria mais harmônico. Soa absurdo, mas é verdade.
Que se exploda essa maldita lei universal!

Moedor de ego

 Apenas um sonho moedor de ego Pensou que passaria incólume? moedor de ego Aqui, mais um dia, desabafando na máquina de escrita moedor de eg...